O brincar e a experiência

Atualizado: 21 de Out de 2020

A saúde psíquica está atrelada à capacidade do sujeito usar símbolos, vivendo na área intermediária entre sonho e realidade. É bem interessante a percepção do psicanalista Donald Winnicott (1896-1971) de que “cada pessoa tem um “self” educado ou socializado, e também um self pessoal privado, que só aparece na intimidade” (1986, p. 54).

No indivíduo “saudável”, portanto, há aspectos de submissão ao self, mas o grau de cisão é reduzido, possibilitando uma vida cultural interessante. É no movimento de reunir e articular os seus objetos internos de modo criativo que o sujeito adquire um sentimento de unidade, que permite a expressão do EU SOU.

O brincar para Winnicott é essencial para a clínica psicanalítica, já que compreende a terapia como a manifestação da criatividade indispensável para a descoberta do eu (self). O relaxamento em condições de confiança com respaldo na experiência e a atividade criativa (física e mental) despertada ao brincar, aqui, se somam para dar contornos aos sujeitos, formando a base do sentimento do Eu. Daí a importância da confiança estabelecida na relação terapeuta e paciente, como bem defende Winnicott.

O “Espaço Transicional” também conhecido como “Espaço Potencial”, é o lugar da separação e da união. É nesse espaço que o bebê começa a estabelecer a distinção entre EU e não- EU, dentro e fora, EU e outro, ingressando no estágio de dependência relativa. É nesse período que o bebê cria/elege os “objetos transicionais”, os quais possuem características bem peculiares por possibilitarem ao bebê lidar com a ausência da mãe e com sua agressividade. Os “Objetos Transicionais” são as formas primordiais de símbolos, já que constroem a ponte entre realidade (fato) e fantasia, objetos internos e externos, criatividade primária e percepção.

Ao formular a teoria sobre “Objetos Transicionais” e a constituição da subjetividade, o psicanalista inglês Donald Winnicott mostra como o modo de organizar e escolher os objetos do ambiente se relacionam com os nossos sentidos existenciais, já que estabelecemos relações afetivas com os objetos, construindo nossa história e novas redes de significados.

A importância do “Objeto Transicional” é a abertura para a experiência, permitindo ao indivíduo apoderar-se do real, sem ser invadido por ele. É também o lugar onde se dá a experiência estética, recheada por múltiplas identificações, assim como interrogações sobre o ser sujeito.


Bibliografia Consultada

FREUD, Sigmund (1856-1939). Obras Completas; Tradução de Paulo Cesar de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FGUELLER, A & SOUZA, ALS (org). Psicanálise com crianças: perspectivas teórico-clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008.

WINNICOTT, Donald. O Ambiente e os Processos de Maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed, 2007.

WINNICOTT, Donald. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1975.

WINNICOTT, Donald. Natureza Humana. Rio de Janeiro: Imago, Ed.; 1990.

WINNICOTT, Donald. Tudo começa em casa. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.

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Fernanda Fazzio
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