PUBLICAÇÕES

O tempo e o impacto da experiência estética na era da Pre(s)sa: psicanálise e teatro performático

A presente pesquisa tece diálogos entre Psicanálise e Arte, buscando reflexões sobre as experiências que envolvem o tempo – aqui chamada de Era da Pre(s)sa – e os efeitos que um impacto artístico pode produzir nas pessoas. O teatro performático ...Entre Esperas... é pensado como um dos espaços culturais possíveis para ampliação de redes simbólicas e para a construção de narrativas e de ligações entre os significantes que poderão ser inscritos no sistema psíquico do sujeito, por meio da abertura para o novo, decorrente de uma experiência estética intensa. A complexa Era da Pre(s)sa, caracterizada pelo ritmo acelerado que se reflete em excesso de tarefas e exigências, sufoca os sujeitos, aprisionados em um tempo sempre insuficiente. Consequentemente, seu mundo interno pode se tornar empobrecido simbolicamente e com estreitas experiências, já que o tempo de elaboração e de trabalho psíquico se comprimem diante dos ideais sociais. Esta dissertação de Mestrado foi elaborada de acordo com a metodologia de pesquisa em Psicanálise, articulando a epistemologia entre a Psicanálise e a Arte, compatível com um exercício de Psicanálise implicada, desenvolvida por Renato Mezan e João Frayze-Pereira. Os principais autores consagrados da Psicanálise presentes na pesquisa são Sigmund Freud, Jacques Lacan, Sándor Ferenczi e Jean-Bertrand Pontalis, que possibilitaram a articulação entre tempo, memória e trauma. Filósofos e sociólogos internacionais, como Norbert Elias, Walter Benjamin, Zygmunt Bauman, Gilles Lipovetsky, Georg Simmel e Byung-Chul Han, contribuíram com a contextualização do tempo na Era da Pre(s)sa em sua condição de excessos e em seu caráter instrumental, que se reflete no controle do tempo. As articulações entre trauma e Unheimliche foram desenvolvidas a partir das produções de Oscar Cesarotto e Alessandra Martins Parente, para se pensar os efeitos de impacto da experiência estética. As contribuições de psicanalistas contemporâneos, como Maria Rita Kehl, Julieta Jerusalinsky, Joel Birman, Ana Costa e Paula Peron, foram fundamentais para estabelecer relações entre subjetividade, trauma e mal-estar na Era da Pre(s)sa, delineando os fundamentos para análise do espetáculo teatral ...Entre Esperas...

A INQUIETANTE BELEZA DO FEIO

(Patuá, 2014)

A origem do livro A Inquietante Beleza do Feio foi um exercício de articulação poética entre contos literários e uma teoria acerca da interpretação com máscaras, da estética do feio e da criação como ato lúdico (em viés psicanalítico) na pesquisa do trabalho de conclusão de curso da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), com orientação de Marcos Barbosa. A pesquisa enfocou também as possibilidades de intersecção entre a arte e a psicanálise, ambas compreendidas como espaços da ilusão, da fantasia, dos desejos e das inquietações.

As definições acerca do Belo são há muito tempo o alvo de inquietações de filósofos e de artistas. E é devido a elas que se tornou possível reconstruir uma história da estética. Contudo, o mesmo não aconteceu com o Feio, havendo poucos tratados e considerações relevantes sobre o tema. Aqui, partindo das reflexões de Umberto Eco, não se pensa o Feio em oposição ao Belo, mas sim em suas características peculiares, considerando conceitos próprios, relativos aos vários períodos históricos e aos seus estranhamentos  nas diversas culturas.